Hospital de São José [Lisboa]


Visualização Hierárquica

Número:
CHSJ

Designação:
Hospital de São José

Outras designações:
Histórica - Colégio de Santo Antão-o-Novo

Tipologia:
Arquitectura civil\Hospital

Projecto:
CHLC - Centro Hospitalar de Lisboa Central

Descrição:
O edifício do Colégio de Santo Antão-o-Novo, actual Hospital de São José, conserva in situ um vasto e impressionante conjunto de painéis de azulejo, cuja cronologia remonta ao século XVII e se prolonga até aos dias de hoje. Os jesuítas estabeleceram-se em Lisboa no ano de 1542 no chamado Coleginho, na Mouraria que, após a mudança para as novas instalações passou a ser designado por Colégio de Santo Antão-o-Velho. A primeira pedra do novo edifício foi lançada a 11 de Maio de 1579, iniciando-se a construção pelos dormitórios. Os padres da Companhia mudaram para as suas novas instalações em 1593 mas não dispunham ainda da igreja definitiva, cuja obra seria iniciada apenas em 1613. As campanhas de obras na igreja prolongaram-se por todo o século XVII, ainda que a abertura da mesma, inacabada, tenha ocorrido em 1658. As intervenções azulejares de maior significado são posteriores e, muito embora subsistam dúvidas quanto às autorias e à sua correcta cronologia, é possível situar uma importante fase de aplicação de painéis de azulejo entre os anos de 1720 e 1750. Com o Terramoto de 1755 o edifício sofreu estragos de grande monta, que se intensificaram após a expulsão dos jesuítas e a instalação neste espaço do Hospital Real de Todos-os-Santos, a partir de 1769. Na verdade, parte da igreja era ainda bem visível no século XIX mas foi objecto de várias destruições, acabando por subsistir apenas a antiga sacristia. Cada espaço da antigo Colégio conserva um revestimento cerâmico que obedece a um programa iconográfico próprio, relacionado com as suas funcionalidades originais: salas como aquela em que funcionava a célebre Aula da Esfera reflectem os ensinamentos que aí eram ministrados; as escadarias denunciam programas mais orientados para o retrato do quotidiano da nobreza, com cenas de género e de caçadas, militares ou de guerra; áreas como o átrio actual exibem cenas bíblicas inspiradas em passagens do Antigo Testamento e, em zonas de exterior, onde certamente era importante tirar partido de imagens relacionadas com a própria iconografia jesuíta, é possível observar os santos fundadores ou relevantes para a Companhia - Santo Antão, São João Baptista e Santo Inácio de Loyola. Para além destes testemunhos setecentistas o edifício conserva aplicações de época anterior e outras bem mais recentes.


Disposições Legais:
- MN Monumento Nacional | Dec. n.º 22 502, DG 102 | 1933-05-10 | Antiga sacristia
- IIP Imóvel de Interesse Público | Dec. n.º 8/83, DR 19 | 1983-01-24 | Edifício principal do Hospital de São José


Google Maps:



Link do Imóvel no Site do IHRU


Autoria
- Joaquim de Brito - Pintor (Em 1775 pintou dois painéis e retocou outros, tendo tido uma segunda encomenda de cinco painéis e retoques. Pela primeira recebeu 8.860 réis e pela segunda 14.690 réis. Fez outros trabalhos não especificados, tendo recebido 17.880 réis, em 1778 (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4))

- José dos Santos Pinheiro - Pintor (Pintou, em 1771, um painel de São José, com 173 azulejos, pelo valor de 3.520 réis (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4))

- Francisco Gomes - Ladrilhador (Trabalhou como azulejador no Hospital entre 1770 e 1773, mas não foi ainda possível identificar os azulejos (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4))

- Pedro Mazó - Ladrilhador (Trabalhou como azulejador no Hospital entre 1770 e 1773, mas não foi ainda possível identificar os azulejos (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4))

- Pedro Martins - Ladrilhador (Trabalhou como azulejador no Hospital entre 1770 e 1773, mas não foi ainda possível identificar os azulejos (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4))

- Ricardo José - Ladrilhador (Trabalhou como azulejador no Hospital entre 1770 e 1773, mas não foi ainda possível identificar os azulejos (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4))



Cronologia

- 1770-00-00 | 1773-00-00 [Revestimento]
Documentado [mas não identificado] - a documentação revela que entre estes anos foram fornecidos azulejos para São José por Pedro António, Pedro Martins e Manuel Nunes de Carvalho. Trabalharam como ladrilhadores Francisco Gomes, Pedro Mazó, Pedro Martins, Ricardo José e mais cinco oficiais (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4)


- 1771-00-00 [Revestimento]
Documentado [mas não identificado] - mandou-se fazer o painel de São José, com 173 azulejos, pagos a 1.500 réis o cento, num total de 2.640 réis. A pintura foi encomendada a José dos Santos Pinheiro, a quem foi pago 3.520 réis (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4)


- 1775-00-00 [Revestimento]
Documentado [mas não identificado] - Joaquim de Brito fez dois painéis e retocou outros, tendo tido uma segunda encomenda de cinco painéis e retoques. Pela primeira recebeu 8.860 réis e pela segunda 14.690 réis (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4)


- 1778-00-00 [Revestimento]
Documentado [mas não identificado] - Joaquim de Brito fez outros trabalhos não especificados, tendo recebido 17.880 réis (RIBEIRO - Ceramistas do Século XVIII, p. 4)



Bibliografia - Monografias


Bibliografia - Periódicos


Bibliografia - Electrónicos


Inventariante
- Rosário Salema de Carvalho (2010-01-04, Inserção da ficha)