Tábua do Almoxarife
Hospital Termal das Caldas da Rainha
[Caldas da Rainha]


Visualização Hierárquica

Número:
CR_NSP_HTCR010201

Designação:
Tábua do Almoxarife

Tipo de Património:
Azulejo

Classificação:
Revestimento cerâmico\figurativo

Descrição:
Painel de azulejos, em tons de azul e branco, que deveria medir 12x18 azulejos mas que se encontra incompleto, com vários exemplares em falta. Representa, ao centro, uma Tábua do Almoxarife, ou seja, a relação entre o número de doentes (na coluna da esquerda) e "(...) o algoritmo da multiplicação de três quartas de carneiro de ração (...)" (MACHADO - Azulejos do Hospital, p. 24) (à direita) a distribuir ao jantar a cada doente do Hospital, funcionando como um útil documento de administração hospitalar. Esta tábua fazia parte de um conjunto de oito que, originalmente, teria sido em madeira e, só mais tarde, em azulejo (MACHADO - Azulejos do Hospital, p. 23). As restantes calculavam "(...) os gastos que faziam em cada ano com o «carneiro», a «galinha», as «padas de pão aluo», as «padas de Rolão no tempo da cura e das camizas», com o que se «dá de mais a mais nas quatro festas no tempo da cura», com as «pessoas a quem se dão Pitanças nas festas do Natal e Páscoa, e quinta-feira maior», com os «ordenados do trigo» e com as «velhas bentas» dadas a pessoas para a festa de Nossa Senhora das Candeias" (MACHADO - Azulejos do Hospital, p. 24). Esta tábua inscreve-se numa estrutura arquitectónica simulada, com embasamento, pilastras laterais e entablamento, destacando-se, neste último, o brasão de armas de D. Pedro II. Inferiormente, o embasamento apresenta figuras infantis e, em cada uma das pilastras figuras femininas alusivas à caridade (esquerda) e ao trabalho (direita), complementadas por uma legenda inferior em letras maiúsculas - "[...]IDA / [...]E" e "LAB[...] / D[...]". Toda a composição exibe ainda uma profusão de festões de flores. Abaixo da tábua, uma outra legenda, truncada, indica que "ESTA O [...]" / "ANNO DE 171[...]", referindo-se certamente ao ano em que se fez esta obra e que deve ser balizada na segunda década do século XVIII. Todavia, é possível reconstituir a legenda: "ESTA OBRA MANDOU FAZER O P. [DA MED]S / A [...]", ou seja, "Esta obra mandou fazer o Provedor Sebastião da Madre de Deus. Ano de 1667" (MACHADO - Azulejos do Hospital, p. 36). Assim, conclui-se que a data de 171[...] é certamente posterior (os azulejos são de um outro azul), remontando o painel ao ano de 1667 indicado na documentação (MACHADO - Azulejos do Hospital, p. 36). Superiormente, lê-se a transcrição "TABOA DO [CA]RNEIRO Q? SE DÃ AOS ENF[ERM]OS AO IANTAR TRES QVARTAS ACADA hum de resam".

Cronologia

- 1667-00-00 | 1668-00-00 | Cerâmica\Século XVII\Segunda metade\Azulejaria figurativa [Revestimento]
Documentado - "Despendeo mais o p.e Almx.e setecentos e sesemta rs por compra de canastras em que vejo o azulejo do painel da copa" (MACHADO - Azulejos do Hospital [...], p. 58); "Despendeo mais o p.e Almx.e trinta E noue mil setesentos E oitenta rs por compra de tres mil quinhentos azulejos cõ alizares E do painel da Copa de azulejo pera a emfermaria descima das molheres E pera toda a Caza da Copa" (MACHADO - Azulejos do Hospital [...], p. 58) | Encomenda do provedor Sebastião da Madre de Deus. A documentação refere os gastos de forma discriminada: 420 réis para o carreto de 21 carradas de areia para a cal dos azulejos; aquisição de 3500 azulejos com alizares para o painel da Copa, enfermaria de cima das mulheres e toda a Casa da Copa por 39 680 réis; 2 700 réis para a compra de materiais necessários à vinda do azulejo; 2 950 réis com os azulejadores de 3,5 braças de assentar o azulejo, sendo que cada braça custou 1 500 réis, na enfermaria e copa (e dos tijolos sobre os leitos), e da maioria do painel da Copa ("E poial da enfermaria E contos de hum caminho"); 8 870 réis com os carros que foram buscar o azulejo várias vezes, assim como com os barcos, grude e aluguer em "pouos da caza onde esteue"; 770 réis pela compra das canastras em que veio o painel da Copa (BPADL - Livro de Receitas e Despesas, de 1-7-1667 a 30-6-1668, fl. 180, transcrito por MACHADO - Azulejos do Hospital, p. 58)




Autorias
- Gabriel del Barco - Pintor (Atribuído - [1993] HORTA - As artes nas Caldas [...], p. ; [1998] BORGES - O Hospital Termal de Caldas [...], p. 85-86; [1998] MECO - Azulejos e Cerâmica [...], p. 112; [2003] SERRÃO- O Barroco [...], p. 123. /// NOTA: considerando a data apontada de 1667 (entendendo a de 171[?] como um acrescento posterior), esta atribuição perde fundamento pois Gabriel del Barco chegou a Portugal apenas em 1669. Nicolau Borges defende esta teoria porque admite que Barco pintou nestes anos os azulejos do Convento de Nossa Senhora da Assunção de Montemor-o-Novo, mas na verdade deveria referir-se ao convento de Arraiolos, de 1699-1700 (BORGES - O Hospital Termal de Caldas [...], p. ))




Informação Técnica

Material
Matéria transformada\Produto cerâmico\Azulejo [Azulejo]


Técnica
Cerâmica de revestimento\Técnicas de decoração\Faiança\À mão livre [Azulejo]


Cor
Branco [Vidrado]
Azul [Pintura]




Bibliografia - Monografias


Inventariante
- Ana Alva (2016-06-07, Inventariação in situ, investigação e descrição no âmbito da tese - Património Azulejar do Hospital Termal das Caldas da Rainha)